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Os Heterónimos da Peçonha

Os Heterónimos da Peçonha

30
Jul24

«A Zona de Desconforto» de Jonathan Franzen

rltinha

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Para pessoa que se ri das próprias piadas, na vã esperança de arrancar gargalhadas no momento em que acha que teve piada (e não quando tem piada involuntariamente), Jonathan Franzen arriscou bastante com estes ensaios.
Se é verdade que ego é coisa que não lhe falta, faria algum sentido que a sua compulsão para ser admirado o levasse a não publicar certas coisas. Sobretudo trechos em que transparecem certos defeitos de carácter que permaneceram geneticamente similares ao longo das décadas, ainda que sofrendo as mutações emergentes da formação de uma identidade. (E não é assim com a generalidade dos seres humanos?)
Para quem lhe conheça a obra ficcional, estes ensaios terão um interesse particular. Revelam que o autor é dotado de uma notável habilidade para remisturar e rapinar que, com o passar do tempo, se tornou mais preguiçosa e imediata nas fontes, mas da qual vem extraindo uma obra cuidadosamente burilada.
Também é giro ver como o tiro no pé «Purity» emergiu de experiências mais superficialmente avaliadas pelo Franzen e o retorno aos bons romances que foi «Crossroads» se deve à revisitação de um período seminal na vida do autor.
Porém, na qualidade de pessoa que prefere não saber como se fazem os efeitos especiais no cinema, preferia atribuir os bons trechos narrativos ficcionais a pesquisa saturada e génio criativo do que à capacidade para apropriar e remisturar.

22
Jul24

«The Twenty-Seventh City» de Jonathan Franzen

rltinha

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Querem sentir-se leitores super espertos? Leiam toda a obra da fase madura de um escritor e depois vão ler os primeiros romances dele.
(De um escritor com capacidade evolutiva e hábitos de trabalho que envolvam aprimorar os livros.)
Para romance de estreia, «The Twenty-Seventh City» não é nada mau. Mas Franzen só fica como peixe na água quando escreve sobre dinâmicas familiares e as incursões que faz por outras temáticas raramente lhe saem melhor do que tiros nos pés. Esse é ainda o defeito deste livro: tem muitos trechos que foram criados para cativar atenção sobre o autor e menos sobre a obra, porque redundam em exibicionismos artificiais. O ego do senhor Franzen não diminuiu com a idade. Mas aprendeu a definir as prioridades com precisão.
E é um regalo ver como o esforço solitário de um escritor lhe adestrou a escrita.

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