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Os Heterónimos da Peçonha

Os Heterónimos da Peçonha

31
Ago21

Das transcrições de textos: «Thank You for Waiting» de Simon Armitage

rltinha

«Thank you for waiting.


At this moment in time, we’d like to invite First Class passengers only to board the aircraft.


Thank you for waiting.


We now extend our invitation to Exclusive, Superior, Privilege and Excelsior members, followed by Triple, Double and Single Platinum members, followed by Gold, Silver, Bronze card members, followed by Pearl and Coral Club members.


Military personnel in uniform may also board at this time.


Thank you for waiting.


We now invite Meteorite customers, and passengers enrolled in our Rare Earth, Metals points and rewards scheme and thank you for waiting.


Accredited beautiful people may now board, plus any gentlemen carrying a copy of this month’s Cigar Aficionado magazine, plus subscribers to our Red Diamond, Black Opal or Blue Garnet schemes.


We also welcome Sapphire, Ruby and Emerald members at this time, followed by Amethyst, Onyx, Obsidian, Jet, Topaz and Quartz members.


On production of a valid receipt, travellers of elegance and style wearing designer and/or hand-tailored clothing or flaunting individual pieces of jewellery including wristwatches with a minimum purchase price of 10,000 US dollars may now board.


Also welcome at this time are passengers talking loudly to cell phone headsets about recently completed property acquisitions, share deals and aggressive takeovers, plus hedge fund managers with proven track records in the undermining of small to medium-sized ambitions.


Passengers in Loam, Chalk, Marle and Clay may also board.


Thank you for waiting.


Mediocre passengers are now invited to board, followed by passengers lacking business acumen or general leadership potential, followed by people of little or no consequence, followed by people operating at a net fiscal loss as people.


Scroungers, malingers, spongers and freeloaders may now step forward.


Those holding tickets for zones Rust, Mulch, Cardboard, Puddle and Sand might want to begin gathering their crumbs and tissues ready for boarding.


Passengers either partially or wholly dependent on welfare or kindness, please have their travel coupons validated at the quarantine desk.


Sweat, Dust, Shoddy, Scurf, Turd, Chaff, Remnant, Ash, Pus, Sludge, Clinker, Splinter and Soot, all you people are now free to board.»

 

Simon Armitage

29
Ago21

Das sessões no passado recente 3

rltinha

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5h17 de um cinema tão directo, amplo, e desprentensioso que lava a alma do turbilhão de agitação para coisa nenhuma que é tanto do que produz a indústria audiovisual.

Uma abordagem que se poderia designar feminista mas que não será mais do que uma observação da realidade com sentido crítico em serviços mínimos. O quotidiano normalizado é que é feito de desigualdades gritantes.

Aqui Luís Miguel Oliveira tece as suas impressões.

Está disponível no RTP Play.

(Serviço público a ser bom serviço público)

22
Ago21

Das bitaitadas literárias

rltinha

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«Onde se mata um português, matam-se logo dois ou três, é como funciona.»

Numa narração de pequena portugalidade comunitária com o suicídio como resposta disseminada às plúrimas afrontas que só conhece bem quem a vive (à vida no interior, nas terras pequenas em que todos se conhecem desde sempre e ao seu futuro traçado pelo preconceito alheio - profecia que raras vezes se não auto-concretiza) Rui Cardoso Martins faz rir entre desgraças singulares que são exemplos-padrão.

«O Cardoso vestia camisa de cornucópias e disse-me que se és muito pobre convém-te saber dar um murro. Os braços eram grossos e vestiu a camisa de cornucópias castanhas e vermelhas entre Setembro e Julho desse ano, e no ano a seguir o mesmo calendário, todos os dias seguidos de dois anos escolares, ao sol e à chuva, a queimar e a gelar, mais as suas cornucópias. Não cheirava mal, só um pouco a velho. Quanto mais surrada, mais brilhante, cornos ocos a vomitarem fruta no estampado da única camisa que tinha.

- Lavo-a ao domingo, respondeu.

Puta de pergunta, Cruzeta, a pior de uma vida, a outra foi quando perguntaste ao anão do circo que idade é que ele tinha.»

De forma directa - distante das aves do paraíso cheias de si e vazias de ideias e/ou direcção, sem deslumbres provincianos (acontecem muito aos cosmopolitas que acham que viram mundo) com estrangeirismos equivocados tanto pelo estrangeiro como pelo idioma que deixaram de dominar devidamente, de pés assentes nesta particular nação, sem armar ao pingarelho como um Saramago de marca branca que dá nomes e contextos bué Europa central para disfarçar (mal) a matarruanice bacoca - enxuta, portanto, e num registo particular que cativa desde o início, é relatada uma tessitura de singulares percursos de uma desgraça maior e colectiva que é isso de se ser Português fora do centro urbano que tudo monopoliza e anula.

Recomenda-se muito a leitura.

19
Ago21

Das alegrias negociais

rltinha

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Ter um item a fermentar na lista de desejos e poder adquiri-lo a metade do preço gera sempre entusiasmo e o sentimento de «maior de sua rua». Assim me senti quando dei pelo simpático preço desta compilação de textos de mulheres notáveis que merecem ser lidas.

Mais um não-ficção que pode seguir de imediato para as leituras correntes.
Sou adulta, posso.

19
Ago21

Da arte sequencial lagareira

rltinha

As personagens:

Plimpie Raquel, gata empreendedora que explora um restaurante fantástico-medieval que gira pelo nome de «O Lagar do Troll Raivoso» (cf. última imagem).

Maya Alexandra, gata contratada por Plimpie Raquel, anarco-sindigatista amplamente pragmática, que faz justiça pelas próprias patas e preferencialmente pela calada (cf. gata branca da primeira imagem).

Gata Karénina, directora do jornal «A Gazeta do Clube dos Mistérios», arqui-inimiga de Plimpie Raquel, quer por imposição ideológica do seu esquerdalhismo gatinho face ao randroidismo plímpico, quer porque a Plimpie lhe mete nojo desde que a viu pela primeira vez, nesse malogrado mês de Setembro do ano da desgraça de 2016 (cf. gata cinza tigrada com manchas brancas da primeira imagem).

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16
Ago21

Das chegadas no passado recente

rltinha

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E quando a vida era orientada de modo a permanecer a pé até a TVI se decidir a passar Seinfeld, sempre a hora incerta? Quando aqueles pouco mais de vinte minutos eram degustados como se fossem um chocolate extra e ilícito, a desoras, de riso farto mas de volume recalibrado pelos espartilhos da boa vizinhança, que gargalhar ao início de madrugada era capaz de acordar as pobres almas que nada sabiam sobre esta maravilha noctívaga.

Aliar estas memórias, um seriado magnífico, e LEGO (!) foi das melhores ideias que vi surgir em 2021. Tive a sorte de receber isto como prenda tardia de aniversário e conto apreciar tanto a montagem deste conjunto lego como aos episódios que me fizeram reorganizar o sono nos idos anos 90 do século passado.

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